Quinta-feira, 13 de julho de 2017 às 9:42 em Cultura
Presença afro-brasileira na produção artística é discutida em São Paulo

Camila Maciel - Repórter da Agência Brasil

A presença afro-brasileira na produção artística nacional é o tema do novo ciclo da série Diálogos Ausentes, do Itaú Cultural, que começa hoje (13) na capital paulista. Desde abril do ano passado, a instituição promove atividades mensais com artistas e especialistas, utilizando uma linguagem artística diferente a cada três meses.

Dança, literatura, audiovisual, artes visuais e cênicas foram algumas expressões já trabalhadas. Agora é a vez da música, que contará com a participação do músico e pesquisador Tiganá Santana e show da Filarmônica Afro Brasileira (Filafro), sob direção artística e musical do maestro Josoé Polia.

A série teve como pontapé as críticas recebidas pela instituição ao anunciar um espetáculo em que os atores fariam um 'black face' (técnica usada por um ator branco para se caracterizar e estereotipar um personagem negro). “Houve uma série de críticas por conta disto, daí abrimos espaço para representantes do movimento negro dialogarem com grupos de teatro. A partir daí, foi criado um grupo de trabalho que discute essas questões raciais, tanto para formação interna, como para formação de público”, explicou Vinicius Rodrigues, educador e produtor no Itaú Cultural.

Ele disse que a experiência tem sido interessante, pois conta com a adesão de artistas negros, que não só participam, mas propõem ações. “Um dos resultados dessa demanda dos artistas foi o questionamento de que, para além desse diálogo, era preciso apresentar algum tipo de produção”, relembrou. O resultado foi a realização da Mostra Diálogos Ausentes, no final do ano passado, que contemplou as artes visuais, o teatro e o audiovisual.

Cada linguagem artística é trabalhada em um ciclo de três encontros. O de música, que começa hoje, encerrará o projeto no mês de setembro. Cada expressão tem um consultor que, além de dialogar com o público no primeiro encontro, indica outros nomes de referência para compor a programação das demais atividades. “A partir daí, faz-se uma chamada aberta para contemplar artistas mais novos, em início de carreira, e também outros já consolidados, mas que não estavam na lista do consultor”, explicou Rodrigues.

Programação

Esta edição sobre música tem a consultoria do músico e pesquisador baiano Tiganá Santana, que falará sobre a representatividade do negro na música brasileira e a produção de músicos afrodescendentes no país. Ele é autor do álbum Maçalê (2009), o primeiro registro fonográfico brasileiro de músicas autorais em línguas africanas.

Tiganá compõe e canta em kikongo, kimbundu (línguas de Angola e do Congo), português, inglês, espanhol e francês. Além disso, é doutorando em Estudos da Tradução pela Universidade de São Paulo, com pesquisa sobre as sentenças proverbiais bantu-kongo trazidas pelo pensador congolês Bunseki Fu-Kiau.

Amanhã (14), o projeto apresenta a Filarmônica Afro Brasileira (Filafro), com o show Pra Não Ficar Parado, espetáculo guiado por um repertório com ritmos tradicionais e híbridos do Brasil, a exemplo do baião, maxixe, samba e choro, além do angolano quizomba.

Dezesseis músicos estarão no palco e contarão com a participação especial do pianista cubano Pepe Cisneros “na execução de ritmos cujos arranjos trazem características africanas em composições que vão de Paul McCartney a Tom Jobim e Vinícius de Moraes”, diz a apresentação do espetáculo.

As atividades são gratuitas, começam às 20 horas e é necessário chegar com uma hora de antecedência para retirar os ingressos, sendo uma entrada por pessoa. O Itaú Cultural fica na Avenida Paulista 149, próximo à Estação Brigadeiro do Metrô.

Edição: Augusto Queiroz

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